Hoje, como noutros dias, me encaminhava para a escola e mais uma vez me deparo com aquela situação, mas que situação mais desagradável, mais desagradável pra eles do que se possa imaginar, eram paredes de papelão a meia altura, porta? não tem, janelas menos ainda, o chão de barro e pequenos vegetais que ali crescem, ao lado um rio de baixo de uma ponte, hoje me deparo com essa situação e me sinto envergonhado, no país da copa, da olimpíada vencedor é quem sobrevive.
Gostaria, sim de contar diferente, até porque os momentos são distintos, mais a frente eu vejo belos prédios, um largo espaço para os carros e uma serie de campos de futebol, que maravilha não? é mas nada é tão grande e marcante quanto a visão de um homem catando lixo pra se alimentar, sem um banheiro ou papel pra se limpar.
Um cara que dorme no tempo e acorda no tempo, um cara que pra sobreviver tem que enganar a si próprio, um cara que é conhecido como ninguém, na luta pela sobrevivência, confesso nunca ter visto dos olhos desses homens uma lágrima cair e me arrependo quando muitas vezes poderia ter escolhido um e queria dois e esperneava por isso, será mesmo justo julgar esse cara por se drogar? é a saída dele, ninguém lhe oferece um pão ou uma vara pra pescar, mas sempre que passam resmungam "por isso o país não vai pra frente"
É loucura sediar uma olimpíada num lugar que não se tem escola pra estudar, onde você é transportado pior do que as galinhas da Rica, onde a saúde é precária e a única garantia para domicilio é a ponte, mas eu acredito, confio nesse pais que me gera e que nunca acreditou em mim, que nunca me deu uma base pra ir a frente, mas vou até o final e quando alcançar o objetivo vou sim poder chorar, de alegria e sentir no peito o sentimento mais, enfim "um país para todos".

Disse tudo . Amei .
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